Wednesday, June 29, 2016

Distribuição de probabilidades


Absorver o conceito de aleatoriedade é muito mais importante do que absorver o conceito de causa e efeito. Mas como você sabe que é o acaso que determina o resultado do jogo de uma moeda, você tem consciência do que é casual ou aleatório.

A variável aleatória quando o acaso tem influência em seus valores.

Função é uma relação matemática que associa cada elemento de um conjunto chamado domínio a um elemento de outro conjunto chamado codomínio (ou contradomínio): 

                                              f:A→B

                       em que:

·  A: é o domínio da função.

·  B: é o codomínio da função.

·  Para cada x ∈ Ax, a função f associa um único y ∈ By. 

EXEMPLO

É dada a função f(X) = 2 X. O domínio da função é o conjunto de inteiros 1; 2; 3. Logo, o codomínio será 2; 4; 6. Veja abaixo.

A variável discreta é contável em determinado período de tempo. Não pode assumir qualquer valor em dado intervalo.

                                                       EXEMPLOS

Número de carros em um estacionamento; número de moedas que você tem no bolso; número de alunos na sala de aula; número de ovos em uma cesta; número de dias úteis na semana; número de chamadas telefônicas em um escritório. 

A variável discreta é contável em determinado período de tempo. Não pode assumir qualquer valor em dado intervalo.                                          

Função de probabilidade é a função de uma variável aleatória discreta que fornece a probabilidade de ocorrer qualquer um dos valores que estão no domínio dessa variável. É indicada por P. A função de probabilidade tem as seguintes propriedades:

1.    A probabilidade de ocorrer qualquer um dos valores possíveis de X é maior do que zero.

                               P (X =x) ≥ 0

 2.    A soma das probabilidades de ocorrência de todos os valores possíveis de X é, obrigatoriamente, igual a 1. 

                             

Distribuição de probabilidades é uma equação ou uma tabela que relaciona cada resultado possível de uma variável aleatória discreta com sua probabilidade de ocorrência.

                                                   EXEMPLO

Seja X o número de caras que podem ocorrer quando se joga uma moeda duas vezes.  Veja o diagrama de árvore e a função de probabilidade  por abaixo. 

                                                                   



A mais simples distribuição de probabilidades é a chamada distribuição uniforme – em que todos os resultados possíveis ocorrem com a mesma probabilidade, isto é,

EXEMPLO

Seja X o resultado que pode ocorrer quando se joga um dado bem balanceado.  A distribuição de probabilidades para x = 1; 2; 3; 4; 5; 6 é 

                                          

É importante saber que variável aleatória não significa variável que pode assumir qualquer valor (um número aleatório). Significa variável que tem um conjunto de resultados possíveis e cada resultado tem determinada probabilidade de acontecer. A palavra “aleatória” indica apenas que os resultados se sucedem ao acaso – sem que você saiba qual resultado irá ocorrer. 

EXEMPLO

Seja X o resultado que pode ocorrer quando se joga um dado bem balanceado.  A distribuição de probabilidades é 

 

         VEJA TAMBÉM:





Thursday, June 23, 2016

Distribuição Normal: Por que é tão comum?

 Distribuição Normal: Por que é tão comum?

Uma variável aleatória contínua pode assumir qualquer valor dentro de um dado intervalo. Existe, portanto, um número infinito de valores possíveis considerando dois valores. Por exemplo, altura de pessoas é uma variável contínua. Entre dois valores possíveis quaisquer – como 1,70 m e 1,80 m – podem ser encontrados infinitos valores.

A distribuição dos valores possíveis de uma variável contínua é descrita por uma função de densidade de probabilidade (ou simplesmente função de densidade). Vamos começar entendendo o que é distribuição. E – para isso – vamos ver a distribuição normal.

    Distribuição normal


 A distribuição normal, também referida como distribuição de Gauss e curva do sino, é a mais conhecida das distribuições.

Mas... Por que a distribuição normal aparece tanto?


A curva normal já era conhecida há bastante tempo quando Gauss, o grande matemático e astrônomo do século XIX, fazendo medições em seus estudos de astronomia, constatou que:

🔹 Quando são feitas várias medições, o valor mais provável para a resposta real é a média das medições.

🔹 Erros pequenos são mais prováveis do que erros grandes.

🔹Para qualquer número E, ter erro +E é tão provável quanto ter erro -E.

 

A partir dessas suposições simples, Gauss criou a “fórmula” (função de densidade de probabilidade) da distribuição normal e usou essa distribuição para estudar erros de medição.

Vamos olhar primeiro o aspecto gráfico da distribuição. É uma curva em forma de sino, simétrica em torno da média. A probabilidade de a variável aleatória assumir qualquer valor dentro de determinado intervalo é dada pela altura da curva. Isto significa que, se estivermos estudando erros de medição, a probabilidade de erros positivos é igual à probabilidade de erros negativos.

Ainda, erros pequenos (próximos da média) são mais prováveis do que erros grandes (longe da média). Isso dá a configuração da curva, mostrada na figura.

Gráfico da curva normal


Exemplo intuitivo

Para mais bem compreender a questão dos erros, um exemplo excelente é dado por Mlodinov:

Imagine que vamos fazer 150 pães um a um, seguindo uma receita que produz pães com 500 gramas. Por simples acaso, poderemos colocar mais, ou menos, farinha e/ou leite e/ou açúcar em alguns pães. O forno pode estar mais quente, ou menos quente. Pode haver variações de umidade no ar e temperatura ambiente.

O fato é que, no final, teremos alguns pães com mais do que 500 gramas, outros com menos e a maioria com pesos muito próximos de 500 gramas.

O peso de nossos pães irá variar de acordo com a distribuição normal. Por quê? Porque sobre o peso de nossos pães atuou grande número de variáveis aleatórias independentes – algumas atuaram para aumentar o peso, outras para diminuir. Cada variável tem efeito pequeno, mas os efeitos se somam.

Distribuição de pesos dos pães (imagem ilustrativa)

Foi Quetelet, matemático e sociólogo do século XIX, quem achou que poderia aplicar a “lei dos erros” ao ser humano. Fez medições em 5732 soldados escoceses. A tabela abaixo apresenta a distribuição de frequências para o perímetro torácico.

               Distribuição de frequências para o perímetro torácico de homens adultos, em polegadas 


Observe a tabela. Como a variável é contínua, pode ser mostrada por um histograma, como mostrado na figura dada em seguida.

 

Histograma para a distribuição de frequências do perímetro torácico de homens adultos, em polegadas

 A distribuição normal se ajusta ao histograma, como mostra a figura.

 

Gráfico da distribuição normal ajustada ao histograma

Características da distribuição normal    

 

🔹  A área total sob a curva é 1.

🔹  Média, mediana e moda coincidem e estão no centro da curva.

🔹 A curva é simétrica em torno da média: 50% dos valores estão abaixo da média, 50% acima.

 

Gráfico da distribuição normal


A distribuição normal fica definida quando são dados dois parâmetros: a média (representada pela letra grega μ) e o desvio padrão (σ). Mudando esses valores, o aspecto da curva também muda.


Gráfico de três distribuições normais

 


Conclusão


Medidas biológicas, industriais e erros de medição são influenciadas por várias causas aleatórias. Por isso, a distribuição normal aparece com frequência: ela é o resultado natural da soma de pequenos efeitos aleatórios.

Referências


• Mlodinow, L. O andar do bêbado. Rio de Janeiro: Zahar, 2009.

• Daly, F.; Hand, D; Jones, C.; Lunn, A.D. Elements of Statistics. Addison Wesley, 1995.

• https://onlinestatbook.com/2/normal_distribution/intro.html

• https://onlinecourses.science.psu.edu/stat414/node/97

• https://stattrek.com/statistics/dictionary.aspx?definition=Probability-density-function

• https://www.morris.umn.edu/~sungurea/introstat/history/Quetelet.html

 

 

     







           

Um exemplo simples

Leonard Mlodinow explica que, ao assar 150 pães de 500g cada, pequenas variações nos ingredientes, temperatura e umidade fazem com que o peso final varie de forma aleatória. A maioria dos pães terá peso próximo de 500g, mas alguns serão mais leves ou mais pesados.

✅  Conclusão

O resultado é uma distribuição normal, pois muitos fatores aleatórios, atuando independentemente, se somam.

O resultado é uma distribuição normal, pois muitos fatores aleatórios, atuando independentemente, se somam.

                                                       Veja mais em:


1. Mlodinow, L. O andar do bêbado. Rio de Janeiro: Zahar, 2009.

2. Daly, F.; Hand, D; Jones, C.; Lunn, A.D. Elements of Statistics. Addison Wesley, 1995.

3. https://onlinestatbook.com/2/normal_distribution/intro.html

4. https://onlinecourses.science.psu.edu/stat414/node/97

5. https://stattrek.com/statistics/dictionary.aspx?definition=Probability-density-function

6. https://www.morris.umn.edu/~sungurea/introstat/history/Quetelet.html


   

Monday, June 06, 2016

Teste de Tukey: o teste das diferenças honestas

O primeiro passo na análise estatística de dados obtidos experimentalmente é uma análise de variância (ANOVA), desde que estejam satisfeitas as pressuposições para a aplicação dessa análise.  É feito o teste da hipótese de igualdade entre as médias populacionais de vários grupos

H0: m1=m2=…=mk

contra a hipótese de que existem pelo menos duas médias diferentes entre si. No entanto, essa análise não identifica quais grupos possuem médias estatisticamente diferentes. 

De qualquer forma, se a análise de variância resulta significante, o pesquisador procura um teste para comparar médias duas a duas (pairwise comparisons) e assim identificar os grupos que diferem entre si. Neste post, trataremos um desses testes - o teste de Tukey – provavelmente o mais utilizado nessas situações.                              

Esse teste pode fazer todas as comparações de médias duas a duas que o pesquisador quiser fazer (unplanned comparisons). Isto significa que não é preciso definir, já no projeto de pesquisa, as comparações que devem ser feitas.  Por essa razão, o teste de Tukey é considerado um teste a posteriori (post-hoc). 

🧩 Procedimento para o teste de Tukey

Para aplicar o teste de Tukey, é preciso calcular a diferença honestamente significante que deve existir entre duas médias para que elas possam ser consideradas significantemente diferentes, a um dado nível  α. 

Essa diferença, indicada por HSD,  é dada pela fórmula:

Onde:

·  q(k,gl,α) é a amplitude estudentizada, valor que se obtém em tabela e está associado ao número de grupos (k), aos graus de liberdade do resíduo (gl) e ao nível de significância (α);

·  QMR é o quadrado médio do resíduo da ANOVA;

·  r é o número de repetições por grupo.

Duas médias são consideradas estatisticamente diferentes no nível de significância estabelecido sempre que o valor absoluto da diferença entre elas for maior ou igual à HSD. 

Como usar a tabela de amplitude estudentizada q

Veja o trecho da tabela apresentado a seguir. O valor em negrito corresponde à comparação de médias em um experimento com seis tratamentos (k=6) e 24 graus de liberdade no Resíduo da ANOVA (gl=24), com nível de significância de 5%.

Tabela

Valores de q para α=5%

💡 Uma observação importante: Nos softwares e na literatura em inglês, é comum usar a sigla HSD (Honestly Significant Difference) para identificar a diferença honestamente significante calculada pelo teste de Tukey. No Brasil, essa diferença costuma ser chamada de diferença mínima significante e é representada pela letra grega Δ(delta). Na língua inglesa, o termo Least Significant Difference (LSD) refere-se especificamente ao teste de Fisher. No caso do teste de Tukey, a diferença mínima entre médias é chamada de Honestly Significant Difference (HSD), denominação dada por seu autor, John W. Tukey.

                                         🔍 EXEMPLO

Considere os dados de diminuição da pressão arterial, apresentados na Tabela 1. Esses dados foram submetidos a uma análise de variância (Tabela 2). Como o valor de F é significante no nível de 5%, concluímos que existe pelo menos uma média diferente das demais. As médias dos grupos são apresentadas na Tabela 2.

Tabela 1

Diminuição da pressão arterial (mmHg) segundo o grupo

 

Tabela 2

Médias da diminuição da pressão arterial por grupo


Tabela 3

Análise de variância (ANOVA)

Queremos saber quais médias são significativamente diferentes entre si. Para isso, vamos aplicar o teste de Tukey.

Cálculo da HSD

·     q = 4,3727: valor da tabela de q para k=6, gl=24, α=5%;

·     QMR =36,00: quadrado médio do resíduo da ANOVA;

·     r = 5: número de repetições por grupo.

Comparações de Médias

Agora, comparamos as médias duas a duas. As diferenças significantes no nível de 5% estão indicadas com um asterisco.

Tabela 4

Diferenças de médias da diminuição da pressão arterial

 

✅ Conclusão De acordo com o teste de Tukey, no nível de 5% de significância:

              ·  a média do tratamento A é maior do que a de B e a do controle;

              · a média do tratamento D é maior do que as médias de B, C, E e controle. 

                                          🧩 Outputs

1. MINITAB


Tukey Pairwise Comparisons 


 Grouping Information Using the Tukey Method and 95% Confidence

 

  Treatment   N   Mean  Grouping

  D                5   29,00     A

  A                5   21,00     A  B

  E                5   13,00         B  C

  C                5   10,00         B  C

  B                5     8,00              C

  Control       5     2,00              C

 Means that do not share a letter are significantly different.


2. SAS

 

                          Error Mean Square              36

              Critical Value of Studentized Range  4.37265

                   Minimum Significant Difference    11.733

 

 Means with the same letter are not significantly different.

 

                      Tukey Grouping          Mean      N    trat

 

                                      A                29.000        5     4

                                      A 

                              B      A               21.000         5     1

                              B

                              B      C               13.000         5    5

                              B      C

                              B      C               10.000         5    3

                                      C

                                     C                 8.000        5    2        

                                     C                 2.000        5    6


              ·  a média do tratamento A é maior do que a de B e a do controle;

              · a média do tratamento D é maior do que as médias de B, C, E e controle. 

                                          🧩 NOTA


Entenda  resultados  indicados por letras, usuais em outputs de softwares: 

· quando letras diferentes aparecem em frente a duas médias, a diferença entre essas médias é estatisticamente significante; 

· quando a mesma letra aparece em frente a duas médias, a diferença entre essas médias não é estatisticamente significante.

Tabela 5

  Comparação das médias de diminuição da pressão arterial